Publicado por: ipanemaemcena | Novembro 29, 2007

“É sempre bom curtir um pôr-do-sol em Ipanema”

Se houvesse um circuito de vôlei para avós, não teria a menor dúvida em quem apostar: Maria Isabel Barroso. Mais conhecida como “Isabel do vôlei”, ela é muito mais do que uma estrela da seleção brasileira da década de 80. Mulher de fibra, mãe de quatro filhos, e agora avó, tem muita história pra contar. “Virar vó é muito louco, mas mais incrível ainda é perceber que aquela sua filhinha virou mãe”. Caseira e casamenteira, como ela própria faz questão de afirmar, pode ser encontrada batendo uma bolinha nas areias de Ipanema, mais precisamente na Rua Garcia D’Ávila. Agora, se você é daqueles que curte uma praia cheia com o sol a pino, ah, vai ser difícil de encontrá-la…

Com quantos anos começou a jogar? Por quê?
R: Comecei a jogar com 12 anos, quando estudava no Notre Dame, em Ipanema. Eu sempre gostei muito de esportes, apesar de não vir de uma família esportista. O meu técnico, naquela época, treinava o time do Flamengo e estava começando a montar uma equipe Mirim. Ele então me chamou, já que tinha o biotipo ideal: alta, magra e longilínea. Acho que esse foi o início de tudo.

Como seus pais se comportaram? Houve algum tipo de incentivo ou foram contra?
R: Posso dizer que o maior incentivo dos meus pais foi me dar liberdade para escolher aquilo que gostava. Eles nunca me pressionaram a fazer nada. Tudo bem que não havia aquela empolgação em relação ao esporte, mas também não me impediram de seguir o meu caminho. Mesmo com o todo o preconceito que existia em relação ao esporte, ainda mais se tratando de uma menina.

Além do vôlei, que outras coisas gosta de fazer na vida?
R: Muitas outras (risos). Ir num cineminha, beber água de côco, bater papo com meus filhos e amigos, estar em volta de quem eu gosto. Não curto muito baladas, sou mais caseira. Gosto de curtir as coisas simples da vida e ficar numa boa.

Se não fosse jogadora, o que seria?
R: Ahh… Essa pergunta é muito difícil! Desde cedo eu comecei com o vôlei. Ser um esportista requer muito empenho e disciplina, desde pequeno. Mas, hoje em dia, olhando para a vida, acho que eu gostaria de ser jornalista, por exemplo. Acho interessante. Várias outras atividades também me fascinam. Mas há aquela velha diferença entre o ‘‘querer’’ e o ‘‘poder’’. Eu gostaria muito de ser uma boa instrumentista, mas acho que isso nunca ia conseguir. Não tenho talento nenhum.

Você sempre foi uma moça namoradeira (risos). Você se casou cedo, com 17 anos. Por quê?
R: Acho que, pelo contrário, sempre fui muito casamenteira. Casei porque estava apaixonada. Grávida e apaixonada. Ao longo da minha vida, me casei quatro vezes.

Como foi ter quatro filhos enquanto era profissional? Atrapalhou ou conseguiu levar numa boa?
R: Isso na realidade me ajudou muito Os momentos em que estive grávida funcionaram como uma válvula de escape para a “Isabel” dentro do esporte. Eu podia olhar para minha atividade com um distanciamento maior, ser mais critica comigo mesma. Obviamente que, na parte física, há pontos negativos. Você pára, se afasta, tem que suar a camisa para voltar. Mas os filhos também serviram como uma motivação extra para resgatar a forma ideal. Sem dúvida nenhuma eu ganhei mais do que perdi. Em se tratando da vida pessoal, eu só ganhei.

Dos quatro filhos que tem, três seguiram o rumo do vôlei. Será que a mãe influenciou nessa escolha?
R: A mais velha, Pilar, foi a que mais incentivei. Levei pra escolhinha e tal, mas, por sinal, teve efeito contrário. É á única que não joga. Já com os outros, agi de forma diferente. Fui lhes apresentando outras atividades, como natação, teatro. Nunca houve pressão da minha parte, não era importante pra mim eles jogarem, de forma alguma. Eles já viviam muito o mundo do vôlei e, se quisessem, iriam falar comigo por livre e espontânea vontade. E foi o que aconteceu. Cada um no seu momento. De alguma forma, isso acabou nos aproximando. A gente bate papo, viaja juntos. Atualmente, sou técnica das minhas filhas.

E como é essa relação, de mãe e técnica ao mesmo tempo?
R: É difícil, mas a gente aprendeu a lidar com isso. Tenho uma relação muito próxima e intensa com o vôlei. E é por isso que esse assunto se restringe ao trabalho. Se não satura. Tem quem pense que nossa vida se resume ao vôlei. Que quando não estamos treinando, só conversamos sobre vôlei, só assistimos jogos de vôlei. Mas nossa vida é muito mais, transcende isso tudo.

Você já foi craque tanto nas quadras quanto nas areias. Qual a principal diferença entre elas?
R: Eu me formei no “in door” e mais tarde fui pra areia. Há muitas diferenças entre os dois, desde o piso, até as condições climáticas, como chuva, vento e sol. Confesso que adoro ambos, mas atualmente tenho uma ligação muito maior com a praia, quase nem acompanho o vôlei de quadra.

Você provavelmente nunca me viu, mas eu já cansei de te ver jogando na Garcia D’Ávila, pois ando muito por aquelas bandas. O que mais você faz em Ipanema? O Bairro tem algum significado especial para você?
R: Eu tenho uma relação muito estreita com esse Bairro. Apesar de morar na Gávea, fui nascida e criada em Ipanema. Amo sua praia, principalmente de manhã cedinho e final de tarde. Vou lá já faz um tempo, mas a cada dia me surpreendo com sua beleza. Esteja o céu nublado ou limpo, é sempre bom curtir um pór-do-sol em Ipanema. Não me canso.

Há outras praias no mundo que valorizam o vôlei como Ipanema?
R: Na Califórnia você vê muitas redes, o pessoal também pratica bastante. Mas não como aqui. No Rio é algo especial. Você vê gente de todos os níveis, classes e idades. Desde criancinhas e pessoas da terceira idade, até profissionais, gente rica e gente pobre se divertindo juntas. Sempre num clima de camaradagem. É um esporte bastante democrático.

O Brasil, todos nós sabemos, possue vários problemas sociais e ambientais. Você já participou de campanhas contra, por exemplo, a despoluição da Baía de Guanabara. Você acredita que ícones e estrelas do esporte, como você, devem se empenhar nessa batalha?
R: Isso é muito pessoal. Cada um tem que se envolver com aquilo que se toca, se mobiliza. Ontem, por exemplo, fui num evento contra a violência à mulher. É claro que às vezes há um maior eco, uma maior repercussão, se alguém de grande expressão se pronunciar em prol de causas sociais. Mas acredito que isso seja dever de todo cidadão. A pessoa, seja ela um ídolo do esporte, um artista de TV ou um vendedor ambulante, deve se preocupar em se comportar de maneira descente em relação à sua cidade, ao próximo. Isso deve se refletir numa percepção e atitude diárias. Há tanta gente morrendo de fome por aí, tanta agressão ao meio ambiente. A gente deve se conscientizar de que uma ajuda, por menor que seja, faz uma diferença.

Como é a sensação de se tornar avó?
R: Foi um grande pressente da vida, muito emocionante. Adoro conviver com o João, meu neto, ele é muito divertido. Eu, como toda avó, não poderia deixar de ser coruja. Gosto muito de uma frase que a Danusa me contou: virar vó é muito louco, mas mais incrível ainda é perceber que aquela sua filhinha virou mãe. É um impacto danado, mas tudo de bom.

Por Pedro Farina


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